Na CPMI da JBS, Juscelino Filho questiona ex-procurador Marcello Miller

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Na reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS desta quarta-feira (29), o deputado Juscelino Filho (DEM-MA) fez questionamentos ao ex-procurador do Ministério Público Federal (MPF), Marcello Miller, e evidenciou a “duplicidade de papéis” que o mesmo desempenhou. Miller, que à época integrava a equipe do ex-procurador geral da República Rodrigo Janot, é suspeito de orientar a JBS antes de deixar o Ministério Público para atuar como advogado em processo de acordo de leniência que envolveria o escritório Trench, Rossi e Watanabe.

O ex-procurador, que afirmou ter desempenhado apenas “atuação preparatória” sem remuneração à JBS antes de deixar o MPF, respondeu as perguntas de Juscelino Filho, deu informações sobre sua entrada no Grupo J&F, e sobre os altos valores recebidos dos contratos milionários ainda vigentes.

Ao finalizar seus questionamentos, Juscelino evidenciou a perplexidade da opinião pública com as respostas de Miller que enfatizaram o papel que ele exercia como reconheceu: “Sem dúvida era uma atuação preparatória, e isso eu admito. Os e-mails são reflexões minhas e isso tudo está admitido. Isso tudo era a favor da empresa, sem dúvida. Era para preparar o atendimento da empresa”, afirmou o ex-procurador.

Sobre os pagamentos, Miller confirmou ter recebido do escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados pouco mais de R$ 277 mil no dia 30 de maio deste ano. Sobre o distrato contratual, ainda recebe parcelas do pagamento dividido em 18 meses do valor total pactuado de R$ 1.610 milhões.